“a magia de voar”

história

"A glória de elevar pela primeira vez uma máquina voadora no ar, pertence ao português Bartolomeu de Gusmão, que através do ar aquecido dentro de um invólucro, elevou um balão no ar. Este feito, realizado a 5 de Agosto de 1709, na Sala das Embaixadas da Casa da Índia (onde hoje se situa o Terreiro do Paço em Lisboa), perante a corte de D. João VI, confere a este padre jesuíta a justa designação de inventor do aeróstato. Apesar do não ter voado no balão, não há dúvidas da sua façanha pioneira, sendo este o único recorde português inscrito com caráter definitivo no Guiness Book of Records.

 

Passados 74 anos, no dia 21 de Novembro de 1783, começa uma nova era para o balonismo: Piâtre de Rozier e o Marquês de Arlandes, após algumas tentativas frustadas, tornam-se os primeiros aeronautas da História da Humanidade, ao sobrevoarem os céus de Paris num Balão de Ar Quente. Percorreram cerca de 8 Km em 25 minutos, tendo aterrado em Croulebarbe.

 

Poucos anos depois, em 1795, realizam-se as primeiras ascensões aerostáticas em Lisboa e no Porto. Esta cidade teve durante o século XIX e princípios do século XX, uma grande atividade aerostática, sendo palco de inúmeras e corajosas largadas que arrastaram multidões e escreveram muitas páginas dos jornais da época, originando momentos de euforia e, ao mesmo tempo, de ansiedade e angustia, criando verdadeiros mitos e lendas.

Desde a primeira ascensão realizada no Porto em Maio de 1795, que transportou Vicente Lunardi, da atual Praça da República até à Cantareira, muitos outros se seguiram.

 

O Palácio de Cristal foi um dos locais onde mais atividades do género se registaram, umas plenas de sucesso, outras dramáticas e fatais, como a do lendário Belchior Fernandes da Fonseca, farmacêutico da rua Direita de Vila Nova de Gaia que, a 21 de Novembro de 1903, desapareceu após uma largada no seu balão “Lusitano”, em direção ao mar, nunca tendo regressado.

Histórias de Balões engolidos pelo céu ou passeando acima dos telhados, são muitas mais do que se pode imaginar.

 

O início do século XX foi glorioso para o desenvolvimento do Balão. Aeronautas como Belchior Fernandes, António da Costa Bernardes, José da Silva Roldão, César campos e Luis Braga foram verdadeiros heróis, que antes da 1ª Guerra Mundial, conquistaram os céus de Portugal em Balão...”

 

(in Balões de Ar Quente. A Magia de voar. Travessia de Portugal em Balão, 1996)

RNAAT 12/2005

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